Blog destinado a postagens relacionadas a Contaminação por PCBs (Bifenil Policlorado) e suas relações com o estudo da bioquímica . Atividade da disciplina de Bioquimica Médica,sendo cursada por Caio de Sousa Andrade, ministrada pelo Prof. Dr. Osmar Cardoso, na UFPI

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sábado, 24 de maio de 2014

Postagem nº 2 - Doença de Yusho e Os acidentes com óleo de arroz

São recorrentes na maioria dos textos referentes a contaminação por PCBs referências à Doença de Yusho (Japão)e ao acidente de contaminação de óleo de arroz (largamente utilizado na culinária oriental) por bifenis policlorados. Isso se deve à grande quantidade de pessoas contaminadas e às altas dosagens de PCBs e dioxinas as quais elas foram submetidas. Assim, parte considerável dos estudos acerca das implicações biológicas da contaminação por PCBs foi feita nessa cidade.
O acidente em Yusho aconteceu em 1968, durante a produção de óleo de arroz para comercialização. Os PCBs que contaminaram esse óleo eram provenientes de trocadores de calor. Sendo grande parte dos PCBs e das variedades utilizadas nos trocadores de calor em questão, lipossolúveis, o óleo produzido pôde solubilizar essas substâncias. Foram também encontrados no óleo contaminado, dioxinas(PCCDs) e PCDFs, substâncias resultantes da pirólise dos PCBs.

 

A doença de Yusho é como são chamados os efeitos causados pela contaminação por PCBs,PCDDs e PCDFs , embora haja evidências de que PCDDs e PCDFs sejam bem mais rapidamente metabolizados em mamiferos do que os PCBs. Os efeitos relatados são dos mais diversos tipos, sendo os mais frequentes, os relacionados à pele, como pigmentação de mucosas e unhas e erupções. No entanto, um índice bem considerável de pessoas apresentava efeitos ainda mais preocupantes, como vômitos, diarreias, dores de cabeça, icterícia(que indica déficit na atividade hepática), perda do campo visual, dormência e espasmos nos membros e diversos outros efeitos. Estudos realizados em mulheres que engravidaram na cidade,antes e depois do acidente, revelam que abortos espontâneos e partos prematuros aumentaram consideravelmente em anos conseguintes ao acidente.

 Erupções na pele de paciente com Doença de Yusho(http://openi.nlm.nih.gov/detailedresult.php?img=1568099_envhper00442-0016-a&req=4, acessado em 25/05/2014)

Os efeitos causados pelo acidente de Yusho demonstram o enorme potencial toxicológico dos PCBs e foram importantes para a conscientização em relação a necessidade de conter o uso e a produção dessas substâncias.


Fontes:
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2367658/pdf/ehp0116-000626.pdf
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC1568546/pdf/envhper00443-0311.pdf

8 comentários:

  1. Interessante observar como os pcbs entram no assunto de segurança alimentar. Existem vários casos que, assim como o acidente de Yusho, envolvem contaminação de alimentos por meios biológicos, físicos ou químicos. A exemplo disso tem-se a os surtos de beribéri, também envolvendo a ingestão do arroz, que apareceram no Japão no final do século 17 e no Brasil no ano de 2006 no estado do Maranhão. A partir daí, é notável observar como um estudo desses temas que envolvem a segurança alimentar pode ser benéfico para a sociedade.

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  2. Pelo visto a contaminação por PCBs não tem uma manifestação clara o que indica a sua atuação em vários órgãos e sistemas do nosso organismo. Esse acidente no Japão e suas consequências alertam para a necessidade urgente de se retirar essa substância dos processos industriais, porque mesmo após o fim do uso ela vai continuar presente no ambiente por muito tempo devido a característica de ser muito estável e contaminar principalmente por bioacumulação.

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  3. No seguir das postagens, fica cada vez mais claro como os PCBs são prejudiciais, o que determinaram sua retirada (ainda que a "passos curtos") do mercado. Uma gama de fatores proporcionou esse acidente, pois os PCBs, como possuem grande afinidade por compostos apolares, fazem interações do tipo Van Der Walls ou Dipolo Induzido com o triglicerídeo presente no óleo de arroz. Dessa forma, várias pessoas se contaminaram gravemente, o que deve ter gerado uma concentração grande em locais de tratamento. A primeira atitude a ser tomada é o tratamento desses casos emergenciais sem desviar a atenção da fonte do problema. É um problema de ordem sociológica e ambiental que poderia ser resolvido com um estudo maior acerca dos PCBs. Talvez na época, a tecnologia não tenha sido avançada o suficiente para estudos mais aprofundados, mas esse não é o único problema, uma vez que hoje temos grande base para pesquisas e mesmo assim somos vítimas dessas substâncias prejudiciais. Existem outras questões que devem ser postas em debate.

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  4. Os efeitos do acidente de Yusho atravessaram gerações, já que interferiram nos partos prematuros e abortos que sucederam ao acidente. Diante da gravidade dos problemas gerados pela contaminação por PCBs, é reconfortante saber que o Brasil comprometeu-se com a completa destruição desses compostos até 2025, através da Convenção de Estocolmo. Resta saber se isso, de fato, se cumprirá. Vale ressaltar que os bifenilos policlorados apresentam alta resistência à degradação e que ao serem libertados no ambiente, tendem a acumular-se nos organismos, bem como biomagnificarem-se ao longo da cadeia. Logo, é possível perceber que descartá-los não será tão simples.

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  5. Está provado que compostos bioacumulativos comos os PCBs realmente são uma ameaça para o meio ambiente, uma vez que eles permanecem na natureza ao longo de varias gerações sem se deteriorar. É importante ressaltar que o acidente de Yusho, mesmo que não tenha chamado a atenção do mundo da mesma forma que as bombas de Hiroshima e Nagasaki e o acidente nuclear de Fukushima, é de extrema relevância para a integridade do planeta e da natureza, dessa forma é necessário que a população, empresas e governos tomem consciência de casos como esse para que não cometam os mesmos erros novamente.

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  6. A contaminação por PCBS é, realmente, bastante perigosa. É evidente que em 1968 os estudos sobre essa substância ainda eram precários em relação ao que já se sabe a respeito nos dias atuais. Portanto, fazendo um estudo do caso Yusho, as autoridades governamentais puderam perceber que é fundamental a retirada dessa substância da linha de produção alimentícia. Porém, sabemos que isso necessita de altos investimentos tecnológicos e muita pesquisa. Esse tipo de investimento, no caso do Brasil, é, muitas vezes, deixado de lado pelos seus governantes e, desse modo, pode deixar a população em risco. No post anterior, foi citado que o Brasil se comprometeu a eliminar totalmente o uso desse composto em território nacional até o ano de 2025, mas será que essa meta será cumprida?

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  7. Esse acidente mostrou que nem em sistemas fechados como trocadores de calor é seguro o uso de PCBs. Realmente, ja deveria ter sido banido do Brasil, como fora banido dos EUA desde 1988, por incrível que parece. Dessa forma, é possível notar que não é por falta de conhecimentos na área científica que essa família de moléculas continua sendo usada até hoje.

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  8. O acidente em Yusho exemplifica como esses compostos bifenilos policlorados são altamente nocivos à saúde humana. Também na década de 1960, houve um acidente envolvendo o uso dos PCBs nos Estados Unidos, no rio Niagara, o que gerou gastos milionários do governo com indenização e remoção das famílias prejudicadas e com ações relacionadas à limpeza do local. Espero que com esses exemplos desastrosos o Brasil se apresse em banir de vez o uso de compostos tão perigosos.

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